Nos anos 80, depois do grande acontecimento chamado Home video, fui dos primeiros lá da rua a possuir um leitor de cassetes video. O leitor, na altura Betamax (as cassetes mais pequenas que antecederam as VHS), era uma pesada caixa cinzenta e assim que chegou lá a casa, tive a sensação de que a minha vida ia mudar...e mudou mesmo!
O primeiro filme que alugámos, numa pequena loja de aluguer de cassetes no mítico Centro Comercial Oceano, em Odivelas, foi o Conan.
Recordo-me desse dia claramente.
Chegamos ao Centro Comercial de noite. Os meus pais tinham por hábito sair, logo a seguir ao jantar, para ir ao café e, embora vivessemos longe do centro de Odivelas, o C.C. Oceano era local habitual de visita da família (foi nesse local que me compravam muitos brinquedos, inclusive as minhas primeiras figuras de Masters of the Universe!).
Nesse dia ainda demoramos a encontrar a loja, que estava escondida no piso inferior do C. Comercial.
Quando chegámos, deparámos com uma loja minúscula, apinhada de gente, onde duas pessoas claramente atrapalhadas, tentavam atender um mar de povo, com sede de filmes.
Entrei com o meu pai, que conseguiu a atenção do dono da loja. Depois de mria dúzia de palavras com o homem, virou-se para mim e perguntou se eu queria escolher o primeiro filme para ver-mos.
Não me recordo de olhar em volta. Não dava para ver nada com a loja tão cheia.
Mas, lá no alto de uma prateleira, estava uma caixa preta, com a ilustração de um guerreiro que erguia a espada ao alto, ao lado de uma bela mulher loira, que se agachava com o olhar desafiador.
Disse ao meu pai que era o Conan e que queria muito ver aquele filme.
O dono da loja alcançou a caixa, meteu a cassete lá dentro e entregou-ma.
Nos 8 dias que tínhamos para desfrutar do filme, podem acreditar que o vi 3 a 4 vezes por dia.
Foi um dos mais importantes filmes da minha infância. Vi-o com amigos lá da rua e, de repente, éramos Bárbaros a correr pelo jardim do bairro, transformado na nossa imaginação, em terras inóspitas e pre-históricas, onde o perigo espreitava atrás de cada arbusto.
Depois de Conan vieram outros filmes. Ator, Beast Master e tantos outros que já nem recordava.
Barbarians: From Conan to He-Man, conta a história do legado que o primeiro filme do Conan deixou.
Nestas páginas vamos encontrar os filmes que já tínhamos esquecido. As histórias de bárbaros, que invadiram os cinemas na década de 80 do século passado e que são claramente influenciados pelo épico Conan, interpretado por Arnold Schwarzenegger.
Nestas 252 páginas, da autoria de Claude Gaillard, vamos encontrar memórias de filmes e histórias, por vezes duras e até macabras, da produção destas pérolas que, em muitos casos, chegaram apenas ao home video.
Barbarians é um livro da editora francesa Pulse Video, que se dedica a publicações sobre cinema e filmes esquecidos de todos os géneros.
Este volume em capa dura é a versão em inglês da editora e pode ser encomendado directamente aqui.
É um livro que recomendo para quem gosta de cinema, de fantasia e de histórias de produção.



























